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13 de Maio de 1888, princesa Isabel sanciona a extinção da escravidão no Brasil



Em 13 de maio de 1888, um domingo, Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon escreveu um bilhete ao pai: “Acabo sancionar a lei da extinção da escravidão. Abraço Papae com toda a effusão do meu coração.” Na condição de princesa regente, Isabel acabara de libertar os escravos brasileiros e comunicava a decisão ao rei Dom Pedro II, que na época fazia tratamento de saúde na Europa.

Isabel era uma defensora da causa abolicionista. Durante a primeira viagem do pai à Europa, em 1871, foi ela que, como regente pela primeira vez, e com 24 anos de idade, assinou a Lei do Ventre Livre, que libertava todos os filhos recém-nascidos de escravos. Até que assinasse a abolição definitiva, ela defenderia os escravos de outra forma. O diário do abolicionista André Rebouças registra que, em 4 de maio de 1888, 14 africanos fugidos foram abrigados em um acampamento montado a mando da princesa. No total, ela chegou a bancar a hospedagem de mil fugitivos.

Tudo indicava que Isabel seria uma rainha muito liberal. Ela tinha sido educada para isso. Nascida em 1846 no Palácio de São Cristóvão e batizada em homenagem à avó materna, rainha de Nápoles, ela já tinha sido escolhida para suceder Dom Pedro II aos quatro anos, depois da morte precoce de seus dois irmãos homens, D. Afonso e D. Pedro Afonso. Junto com a irmã Leopoldina, nascida em 1847, ela cresceu cercada por nobres de origem francesa, que lhe deram uma educação rigorosa (“a instrução não deve diferir da que se dá aos homens”, determinou o pai), ela experimentou momentos de descontração nas férias em Petrópolis – onde convivia, com naturalidade, com escravos de sua idade.

Aos 14 anos, Isabel jurou defender a Constituição. Aos 25, tornou-se a primeira senadora mulher do Brasil. No começo da década de 1860, começaram os preparativos para o casamento: chegaram ao Brasil os príncipes Gastão de Orléans, o conde d’Eu, prometido para Leopoldina, e Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota, futuro marido de Isabel. Mas cada uma das duas irmãs se encantou pelo homem indicado para a outra. Com autorização do imperador, trocaram de noivo. Em setembro de 1864, o conde d’Eu pediu formalmente a mão da Princesa Imperial do Brasil – e ela pediu ao pai, como presente, a libertação de outro escravos que serviam a família real.

O conde d’Eu assumiria o comando das tropas do País no final da Guerra do Paraguai. E, em 1888, pediria à esposa a respeito da Lei Áurea (assim chamada porque ela a assinou com uma pena de ouro preparada para a ocasião): “Não assine, Isabel, pode ser o fim da Monarquia.” Ao que ela respondeu: “É agora ou nunca!”.

Com a morte de Dom Pedro II, em dezembro 1891, Isabel se transformaria na chefe da Casa Imperial do Brasil e em Sua Majestade Imperial, Dona Isabel I, Imperatriz Constitucional e Defensora Perpétua do Brasil. Mas, semanas antes, com a proclamação da República, o País já não era mais um império. O príncipe D. Pedro de Alcântara, filho da princesa de 43 anos e sucessor ao trono, cresceria na Europa, longe do Rio de Janeiro, com a mãe, que morreria em Paris a 14 de novembro 1921. Em outubro de 2011, a “Princesa Redentora”, título que ganhara do jornalista José do Patrocínio, foi indicada para o início do processo de beatificação.

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